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Probióticos

Dr. Daniel Magnoni
Cardiologista e Nutrólogo
Mestre pela EPM – UNIFESP
Secretário Geral Permanente da Federação Latino Americana de Nutrição Parenteral e Enteral
Diretor do IMeN – Instituto de Metabolismo e Nutrição

A preocupação da sociedade em incorporar alimentos saudáveis aos seus hábitos nutricionais cotidianos faz parte da realidade em qualquer época. Os alimentos não são somente vistos como uma forma de saciar a fome, prevenir doenças causadas pela dieta deficiente e de prover ao ser humano os nutrientes necessários à construção, manutenção e reparo de tecidos. Os alimentos têm-se tornado o principal veículo de transporte para uma saúde ótima e bem-estar 1 ..

Neste contexto tem-se verificado um interesse grande por parte dos consumidores nos efeitos benéficos para a saúde, de determinados alimentos, contendo componentes com atividade fisiológica/biológica para além dos nutrientes, os chamados alimentos funcionais, alimentos desenhados ou nutracêuticos 2,3 .

O grupo dos probióticos está incorporado de forma muito incisiva nessa nova fase da dietoterapia. Referendados pelo conceito da medicina baseada em evidências, conduzem à clara necessidade de incluí-los na prescrição rotineira em saúde e nutrição. A compreensão desta capacidade probiótica representa uma oportunidade importante no tratamento de desordens intestinais, câncer, síndrome metabólica, entre outras condições clínicas.

Segundo o “Institute of Medicine of the U.S National Academy of Sciences”, qualquer alimento ou ingrediente alimentar que possa exercer efeito benéfico no organismo pode ser considerado alimento funcional 5 .

O termo alimento funcional foi introduzido no Japão em meados dos anos de 1980 1 e até esta data, era o único país que havia formulado um processo de regulação específico para os alimentos funcionais, conhecidos como Alimentos para Uso Específico de Saúde - FOSHU (“Foods for Specified Health Use”). Estes alimentos são qualificados e trazem um selo de aprovação do Ministério da Saúde e Previdência Social japonês 2 . Atualmente, cerca de 250 produtos estão licenciados como alimentos FOSHU no Japão e desde 1999 este mercado tem mostrado um imenso crescimento, graças às empresas e coorporações internacionais que investiram em publicidades e projetos educacionais para a população 6,7 .

Dentre as inúmeras classes de alimentos funcionais estão os chamados probióticos que são alimentos processados com microrganismos vivos que ingeridos exercem efeito benéfico na flora bacteriana do hospedeiro.

Os primeiros estudos científicos sobre probióticos datam do começo deste século com o trabalho de Metchnikoff, do Instituto Pasteur. Esse investigador postulou que os probióticos produziam efeitos benéficos no hospedeiro, porque antagonizavam bactérias perniciosas no intestino 8,9 . A hipótese inicial sobre os probióticos propunha que as cepas bacterianas que aderissem à superfície da mucosa intestinal de forma mais eficiente seriam mais benéficas para os seus portadores 10 .

O termo probiótico foi definido inicialmente como: “organismos vivos que quando ingeridos exercem efeito benéfico no balanço da flora bacteriana intestinal do hospedeiro” e ampliado posteriormente para: “organismos vivos que quando ingeridos em determinado número exercem efeitos benéficos para a saúde” 11 . A definição atual é a seguinte: "suplemento alimentar microbiano vivo, que afeta de forma benéfica seu receptor, através da melhoria do balanço microbiano intestinal" 8,10 .

O grupo dos probióticos merece atenção especial, uma vez que estudos comprovam que esses alimentos têm efeito sobre o equilíbrio bacteriano no intestino e, desta forma, atuam no controle de doenças 12 . Escherich, afirmou que a interação entre o hospedeiro e as bactérias é muito importante e que a competição da microbiota intestinal é essencial para a saúde e bem estar do ser humano 13 .

Os probióticos podem ser componentes de alimentos industrializados e têm sido crescentemente utilizados em leites fermentados, iogurtes e outros produtos alimentícios; ou encontrados em produtos farmacêuticos, na forma de pó ou cápsulas 14 .

Probióticos são produtos que carreiam, na forma viável, bactérias de origem intestinal humana, para o consumo humano, e bactérias de origem intestinal animal específico para o consumo desta espécie animal. Estes produtos têm como finalidade principal manter a microbiota intestinal que foi, de algum modo, desbalanceada por tratamentos com antibióticos, quimioterapia, radioterapia ou por situações de estresse metabólico 15 .

A manutenção da microflora intestinal relaciona-se ao antagonismo de agentes patógenos, ao efeito de barreira microbiana e à modulação de funções imunológicas pelo intestino saudável 10,11,16 .

Os probióticos devem apresentar algumas características específicas como: serem habitantes normais do intestino, reproduzirem-se rapidamente, produzirem substâncias antimicrobianas, resistirem ao tempo entre a fabricação, comercialização e ingestão do produto, devendo atingir o intestino ainda vivos 17,18 .

Nos últimos anos, esforços significativos na área da pesquisa permitiram uma melhor compreensão das relações entre os microorganismos intestinais e a saúde. Já foi comprovado que preparações contendo probióticos podem alterar a composição ou a atividade da microflora intestinal; porém há ainda um longo caminho a ser percorrido pela ciência, uma vez que ainda não existem conclusões definitivas (em humanos) sobre a ação dos probióticos no tratamento do câncer, bem como a freqüência e quantidade a serem ingeridos.

Referências Bibliográficas:

1) COSTA, N.M.B. e BORÉM, A. Biotecnologia em Nutrição – saiba como o DNA

pode enriquecer os alimentos. São Paulo: ed Nobel, 2003.

2) HASLER, C.M. Functional Foods: their role in disease prevention and health

promotion. Food Technology, v52, n11, p 63-70, 1998.

3) TIRAPEGUI, J. Introdução. Nutrição: fundamentos e aspectos atuais. São

Paulo: Atheneu, p. 1, 2002

4) Supplement to The American Journal of Gastroenterology. Functional

Significance of the Bowel Microflora in Gastrointestinal Health: Proceedings

of a Roudtable Discussion. Jan 2000,vol 95, n 1.

5) SIMHON A, DOUGLAS J.R, DRASAR B.S, SOOTHILL J.F. Effect of feeding

on infants' faecal flora. Arch Dis Child 1982; 57:54-8.

6) YAMAGUCHI P. Understanding The FOSHU Market. Functional Foods &

Nutraceuticals. Nov, 2001.

7) NAKAJIMA K. Regulation Nation. Functional Foods & Nutraceuticals. Jan, 2004.

8) FULLER R. Probiotics in man and animals. J. Appl. Bacteriol, 1989, 66, 365-

378.

9) PENNA F.J, FILHO L.A.P, CALÇADO A.C, JUNIOR H.R, NICOLI J.R. Bases

experimentais e clínicas atuais para o emprego dos probióticos. J Pediatr

(RJ) 2000; Suppl. 2:209S-17S.

10) ROLFE R.D. The role of probiotic cultures in the control of gastrointestinal

health. J Nutr 2000;130 Suppl. 2S:396S-402S.

11) BRADY L.J, GALLAHER D.D, BUSTA F.F. The role of probiotic cultures in the

prevention of colon cancer. J Nutr 2000;130 Suppl. 2S:410S-4S.

12) BORGES, V.C. Alimentos funcionais: probióticos e prebióticos. Impacto dos

Alimentos Funcionais para a saúde Nutrição em Pauta. São Paulo, n. 48,

p. 17-18, maio/junho, 2001b.

13) CARVALHO, G. Nutrição, probióticos e disbiose, Nutrição Saúde e Performace.

São Paulo, n. 14, p. 36-37, 2001

14) BORGES VC. Alimentos Funcionais: Prebióticos, Probióticos, Fitoquímicos e

Simbióticos: 1495-1501. In: WAITZBERG DL. Nutrição oral Enteral e

parenteral na prática clínica. Ed Atheneu, 2001.

15) FERREIRA, F.A.B.; KUSSAKAWA, K.C.K. Probióticos. Biotecnologia Ciência e

Desenvolvimento, São Paulo, n. 16, p. 40-43, jun., 2002.

16) PHUAPRADIT P, VARAVITHYA W, VATHANOPHAS K, SANGCHAI R,

PODHIPAK A, SUTHUTYORAVUT U, et al. Reduction of rotavirus

Infection in children receiving bifidobacteria-supplemented formula. J

Med Assoc Thai 1999; 82 Suppl. 1S:43S-8S

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