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Avaliação Nutricional em pacientes de Cirurgia Cardíaca

 

Nutricionista Theresa Emed
 
    As doenças cardiovasculares têm um papel preponderante nos indicadores de morbi-mortalidade do Brasil, sendo a primeira causa de mortalidade proporcional no país desde a década de 60 1,2.
A doença isquêmica do coração, incluindo o infarto agudo do miocárdio, é o componente principal de mortalidade nas cidades da Região Sul e Sudeste3. As opções para o tratamento da insuficiência coronária incluem a terapêutica farmacológica, intervenção coronária percutânea e a cirurgia de revascularização miocárdica4.
Com os avanços tecnológicos e das técnicas cirúrgicas, a cirurgia de revascularização miocárdica é considerada a opção mais indicada para aumento da sobrevida e melhora da qualidade de vida dos portadores de DAC com lesões multiarteriais4. A cirurgia é considerada de grande complexidade e pode apresentar complicações em qualquer um dos períodos operatórios, tais como o infarto do miocárdio per-operatório, complicações respiratórias, sangramento, infecção da ferida, insuficiência pulmonar, hipertensão pós-operatória, complicações cerebrovasculares, fibrilação atrial e atraso de condução e bradiarritmias5.
A avaliação clínica pré-operatória dos pacientes é um tema de preocupação habitual para cirurgiões, anestesistas, cardiologistas, uma vez que é sabido que intervenção cirúrgica impõe ao organismo uma sobrecarga circulatória, à qual um coração doente é mais vulnerável que um coração normal6.
Várias orientações têm sido publicadas a fim de avaliar o risco para complicações cardíacas. Todas essas têm enfatizado a necessidade de uma acurada avaliação clínica, identificando os marcadores clínicos de risco cardiovascular pré-operatório aumentado6.
Dentre os parâmetros pré-operatórios, devemos incluir a avaliação do estado nutricional, uma vez que tanto indivíduos com caquexia cardíaca como obesos parecem não tolerar tão bem a cirurgia cardíaca quantos outros pacientes7.
Porém, a exata relação entre o estado nutricional do paciente e seu impacto no pós-operatório de cirurgia cardíaca é controverso: muitos estudos mostram não haver significância entre altos índices de massa corporal (IMC) e mortalidade 8, 9,10 outros, demonstram que a obesidade está associada a complicações operatórias11,12.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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